Guilherme Moreira Jr.

Respeito não deveria ser artigo de luxo. Mas deveria ser um aplicativo emocional vindo de fábrica.

Imagem de capa: Sergey Clocikov, Shutterstock

São nobres os indivíduos que reconhecem o espaço do outro. Que entendem o respeito como algo bonito e importante nos dias de hoje. Mas, infelizmente, ainda há quem encare o ato de respeitar uma aberração, no qual ele só funciona se for praticado em benefício próprio. Porque quando se trata de entregar a mesma reciprocidade, somos seletivos.

A verdade é que estamos vivendo sob regras estranhas ao falarmos do respeito. Num dia queremos que ele nos abrace em relação aos assuntos que nos interessa e nos emociona. Noutro, agimos conforme uma vontade egoísta, julgando e apontando atitudes que nós ignoramos quando nos convém. Estamos confundindo dizer o que queremos com respeito. Estamos passando por cima de uma educação sentimental em prol de verdades momentâneas. É cada vez mais comum, alguém chegar e expor o que pensa, sem mesmo construir uma preocupação para com o outro e de como aquele comentário ou atitude irá afetá-lo. Em tempos de redes sociais, isso é cada mais vez evidente e alarmante.

Não é que não tenhamos liberdades e aberturas o suficiente para esclarecermos pontos de vista. O problema é essa quantidade assustadora de “falo o que penso e dane-se” quem não gostar. Ou a desculpa clássica do mundo virtual, “quem mandou publicar”? É claro que existem casos e casos. Generalizar usuários e conteúdos seria, inclusive, uma forma camuflada de controle. Mas não é isso. Apenas seríamos muito mais unidos e proveitosos se usássemos do mesmo respeitar que suplicamos diariamente nas ruas, caso também o trouxéssemos para curtidas, comentários e compartilhamentos.

Pouca gente lê o que consome na internet. Pouca gente reflete sobre o que gosta e não gosta na internet. A facilidade das informações vem criando o “atire primeiro e atire mais depois”. É cansativo, tóxico e, por que não, entristecedor? Claro que seria utópico demais esperar mudanças de comportamento em larga escala. Mas será que não poderíamos, com um pouco mais de disposição, tentarmos algo diferente?

Respeito não deveria ser artigo de luxo. Mas deveria ser um aplicativo emocional vindo de fábrica. Em qualquer lugar, em qualquer dia, respeitar é uma necessidade urgente. É questão de amor público, sabe? Porque já faz um tempo que venho querendo dizer, respeito não é uma moeda de um lado só.

Gui Moreira Jr

"Cidadão do mundo com raízes no Rio de Janeiro"

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